quinta-feira, setembro 04, 2003

VIOLÊNCIA SOBRE CRIANÇAS

Os pais amam os filhos. Os avós adoram os netos.
Quem não gosta de crianças ?
As crianças podem ser muito traquinas, birrentas ou amorosas, mas são sempre fonte da vida, que nelas renasce em cada geração. Exigem por isso todo o carinho, sendo condenável qualquer forma de violência exercida sobre elas. Ainda está ainda na nossa memória a palmatória dos cinco olhinhos ou a vara comprida que alguns professores utilizavam e que hoje causam repulsa generalizada.
Sabe-se que muita da violência que existe no mundo tem a sua origem em traumas de infância, designadamente de abusos físicos sofridos no ambiente familiar, na escola, no convívio com outras crianças e depois no contacto com adultos.
As crianças aprendem com a vida, seguem o exemplo dos mais velhos e têm tendência para repetir as palavras, os gestos e os actos que presenciam, formando a sua personalidade com a vivência diária.
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Para além da tristeza e da repulsa que todos sentimos quando se trata de actos bárbaros como o da pedofilia, há que assumir uma vontade colectiva de censurar e condenar toda e qualquer forma de agressividade contra crianças, mesmo quando parece inofensiva ou motivada por propósitos educativos.


segunda-feira, setembro 01, 2003

MUNICIPALISMO E DIVISIONISMO

Os portugueses cultivam todo o tipo de originalidades para se dividirem; históricas, culturais, religiosas, etc.
Preferem ser orgulhosamente poucos (e fracos) a organizarem-se em colectivos fortes.
A primeira razão é a mesquinhez. Todos querem ser presidentes de qualquer coisa e só haverá presidentes se essa coisa existir, seja um clube de futebol, um grupo folclórico ou uma agremiação qualquer.
A segunda é a falta de civismo, sem o qual não é possível aceitar regras, excepto as próprias.
Na era da globalização os portugueses globalizam-se ao nível da aldeia.

CONVEM RECORDAR

No século XX a primeira grande tragédia da Humanidade foi causada pelo nazismo, ambicioso projecto político de dominação totalitária, fundado e liderado por ditadores brutais e sanguinários.
Todos temos ainda presentes os milhões de mortos e as horríveis torturas que alguns seres humanos sofreram.
Convém recordar que foram duas das mais antigas democracias do Ocidente que generosamente sacrificaram os seus povos e muitos dos seus filhos na luta contra essas forças aparentemente invencíveis.
Refiro-me obviamente à Inglaterra e aos Estados Unidos.
Nasceu depois o comunismo que, sob uma falsa doutrina de solidariedade humana, mais não fez do que impor-se pelo terror, causando milhões de mortos e empobrecendo aqueles que aderiram ao sistema ou com ele se conformaram.
Convém lembrar que foram de novo a Inglaterra e os Estados Unidos a conduzir a luta contra essa ditadura, ela também aparentemente irreversível.
No início do século XXI, cresce, à escala planetária, um terceiro movimento de dominação sobre todos os homens, inspirado num fundamentalismo religioso que utiliza abertamente o terrorismo organizado para eliminar aqueles que se lhe opõem e aterrorizar todos os outros.
Mais uma vez são a Inglaterra e os Estados Unidos, duas das mais antigas democracias do Ocidente, a mobilizar esforços para o combate, sob a incompreensão de muitos.
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Acusar estes dois países é ser ingrato.
A eles se deve o vivermos hoje em liberdade e democracia, que é, apesar de tudo, a melhor herança que poderemos deixar às futuras gerações.

quarta-feira, agosto 27, 2003

CLARA FERREIRA ALVES E O TERRORISMO

Clara Ferreira Alves escreve hoje no Diário Digital uma coluna denominada "A explosão", onde opina que o terrorismo é nos nossos dias mais organizado e assustador do que foi no passado, para concluir que isso se deve "...aos erros da Casa Branca e de Downing Street, que todos iremos pagar.."
Termina por chamar a Tony Blair "auto-iluminado" e a George Bush "ignorante".
Admito que a esquerda, que em tudo procura argumentos para combater a direita, pode ter opiniões radicais, mas, em meu entender, a decência obrigaria a que as tragédias provocadas pelo terrorismo internacional não fossem usadas como pretexto para mais uma simples coluna de opinião que não apresenta nada de sério, nem de construtivo.
A decência obrigaria também a não recorrer ao insulto, que se torna ainda mais chocante quando se verifica que nem uma palavra é dita para condenar os responsáveis pelos actos terroristas.
Afinal, para Clara Ferreira Alves, o terrorismo serve lindamente para mais um ataque aos seus opositores políticos.
Lamentável....

segunda-feira, agosto 25, 2003

HÁ QUEM NÃO TENHA MEDO DE MORRER

Morrem pessoas nas estradas. Morrem pessoas nas praias. Más estradas? Má vigilância? Não. Ou não apenas. Acima de tudo falta de respeito por regras e códigos de conduta, falta de educaçao e civismo e uma total inconsciência.
Ainda recentemente numa praia americana assisti ao fim do dia de trabalho dos nadadores salvadores. Antes de partirem ouviram-se os apitos por toda a praia e todas as pessoas que estavam dentro de água sairam durante alguns minutos, os suficientes para que se pudesse verificar que, ao deixarem o seu posto de trabalho, os nadadores-salvadores não deixavam ninguém em situação de perigo. Depois cada um poderia regressar ao mar, mas de sua conta e risco.
O que aconteceria em Portugal quando os apitos soassem ?
Alguém respeitaria a regra de sair da água ?

quinta-feira, agosto 21, 2003

HOMENS DE NEGÓCIO

Qualquer homem de negócios, para ser bem sucedido, precisa de ter qualidades pessoais orientadas para a realização do lucro como objectivo primordial na vida. É uma aprendizagem que se faz desde criança, ou por influência familiar ou do meio ambiente em que se processa o desenvolvimento e a formação do carácter, algumas vezes apoiados numa forte herança genética (costuma dizer-se que filho de peixe sabe nadar).
Dificilmente se criam essas personalidades em escolas e universidades.
A educação académica faz gestores, mas não homens de negócio.
Em toda e qualquer iniciativa, em todo e qualquer projecto, os homens de negócios tem como primeira, ou única, preocupação a de verificarem como poderão sair a ganhar dinheiro, confiantes nas suas capacidades para vencerem riscos e, quase sempre, sem se deixarem condicionar por princípios e valores éticos e morais. A maioria das outras pessoas têm objectivos diferentes na vida, embora obviamente apreciem o dinheiro e gostem de o possuir...

Li em tempos uma história que, de certa forma, ilustra isto.
Numa aldeia remota do interior, o pároco tinha como ajudante na celebração da missa um jovem, filho de pessoas humildes, apenas com a 4ª classe, mas muito desembaraçado e hábil a tirar proveito de todas as situações, designadamente nas brincadeiras com as outras crianças da escola.
Manifestava o pároco o desejo de lhe financiar os estudos, pois lhe parecia que se tratava de uma dádiva de Deus, que teria de ser apoiada. Mas o jovem não se interessava pela escola e um dia, sem disso informar ninguém, deixou a aldeia em direcção à cidade, onde chegou sem recursos e onde não podia contar com qualquer apoio.
Depois de observar o que se passava à sua volta, verificou que muitas pessoas, que circulavam nas ruas, fumavam e procuravam um quiosque, situado estrategicamente numa esquina, para comprarem os seus cigarros. Pensou então que se tivesse um tabuleiro onde transportasse os maços de cigarro, se poderia antecipar ao quiosque, indo ao encontro dos clientes. Assim iniciou a sua actividade empresarial, que teve muito sucesso, a tal ponto que algum tempo mais tarde estava a comprar o quiosque cujo negócio prejudicara. E depois foi adquirindo outros quiosques, com o mesmo sistema de antecipação à concorrência, e foi alargando a rede de vendas, sempre com o objectivo de ir ao encontro das necessidades dos clientes.
Um dia um amigo, que conhecia a sua história, disse-lhe, com muita sinceridade, que admirava as suas qualidades de inteligência, acrescentando: "Posso imaginar o que seria se tivesses estudado..."
Ao que ele respondeu, também com muita sinceridade: " Provavelmente estaria a ajudar a ajudar à missa na minha freguesia..."

terça-feira, agosto 19, 2003

AS BARRAS DE OURO

Há quem pense que a melhor garantia de futuro para os filhos é um valioso património.
Outros consideram que mais importante são os hábitos de trabalho e as qualificações pessoais e profissionais.
A este propósito não resisto a contar um pequeno episódio verídico ocorrido aquando da descolonização de Moçambique.
Diariamente, dezenas de portugueses se apresentavam na ponte-cais da bela cidade de Lourenço Marques com numerosos contendores de madeira acumulando os seus haveres, a fim de os embarcarem para Lisboa.
A Frelimo, partido que havia conquistado a independência, estimulava naquela fase do processo de descolonização a saída de todos os portugueses, dentro da lógica de que, se haviam participado no domínio colonial, não seriam bons colaboradores para o novo poder político. A Frelimo combatia, porém, ferozmente, a saída de bens e haveres, com a ideia de que sem esses patrimónios o País ficaria mais pobre.
Neste contexto, um fiscal da alfândega, que procedia ao exame de um contendor pertencente a um conhecido e prestigiado arquitecto, não encontrando nada a que pudesse objectar, perguntou-lhe onde estavam escondidas as barras de ouro...
Sorrindo, ele mostrou-lhe as duas mãos e respondeu: estas são as minhas barras de ouro; foi com elas que criei riqueza; vão comigo...valem mais do que tudo o que se encontra nesse contentor....