quinta-feira, julho 14, 2005

OS MARIDOS NÃO GOSTARAM

Como referi anteriormente, as minhas vizinhas ficaram entusiasmadíssimas com a solução encontrada pelo Governo de reduzir o défice, sem reduzir as despesas....
O caso é que elas têm exactamente o mesmo problema e estavam a ser pressionadas no sentido de fazerem economias..
Pois bem, o Senhor Governador do Banco de Portugal, um economista de alta craveira, desempenhando um cargo de elevadas responsabilidades, nacionais e internacionais, acaba de dar razão ao Governo, dizendo que essa opção é melhor do que a de efectuar cortes nas despesas !!!!!!!.
As minhas vizinhas entraram imediatamente em acção. Reuniram em casa de uma delas à hora do chá e resolveram colocar a questão nesse mesmo dia aos respectivos maridos, exigindo-lhes o aumento da contribuição financeira para o lar. Elaboraram logo planos para evitar fugas a essa contribuição adicional, que poderiam passar por medidas extremas.
.............
Ao fim do dia os maridos foram confrontados com essa medida e com a respectiva justificação. Os tempos vão maus, as despesas aumentam, há que fazer sacrifícios e, portanto, a contribuição financeira para o lar teria de ser reforçada.
Os maridos não concordaram....No seu entender, havia despesas supérfluas e até inúteis que poderiam ser eliminadas. As idas à manicure, ao cabeleireiro e às massagens talvez pudessem também ser reduzidas....
Mas o esforço foi em vão...
Vivem neste momento angustiados, sem saber o que lhes reserva o futuro e receando novas penalizações.

quinta-feira, junho 30, 2005

BESTIAL ......

O orçamento rectificativo confirma que o Governo aspira a fazer milagres.
Diminuir o défice sem reduzir a despesa é o objectivo para este ano.
Poupar sem deixar de gastar é bestial !!!!!.
Penso que as donas de casa vão seguir com muita atenção o que faz José Socrates porque quase todas têm um problema parecido.
A minha vizinha do 2º. andar está entusiasmadíssima e acredita poder fazer o mesmo.
Tem já vários chás organizados com as amigas para seguirem de perto o processo...

quinta-feira, junho 16, 2005

FILHO BASTARDO

Ele anda por aí... o défice.
Mas ninguém sabe como nasceu, nem quem é o pai. Todos procuram fugir dessa responsabilidade, porque a criança é um caso sério...um problema grave.
Ignora directivas, orientações e outras formas de tutela.
Já tentaram conter o seu crescimento, mas em vão.
Já quiseram interná-lo num orçamento restritivo, mas ficou a rir-se e saiu mais forte e voraz do que antes.
Pouco a pouco está a transformar-se num monstro que tudo consome.
Não há alimentação que lhe chegue.
Atónito e atemorizado, o País que o acolhe e lhe dá guarida uniu-se elegendo por larga maioria uma grande força política para o controlar, porque começa a tornar-se um perigo público e social.
Ainda não se pode prever o que irá acontecer, mas receia-se o pior.
Enquanto a força política faz planos, o monstro não pára de consumir o que encontra à sua volta.
Entretanto, receando reacções violentas, vão-lhe dando tudo o que reclama, para o acalmar......

quinta-feira, junho 09, 2005

COMO É POSSÍVEL !!!!!!

Concordo e sempre concordei com a quebra do sigilo bancário em favor da justiça fiscal.
Mas não concordo nem poderei nunca concordar com a divulgação pública da situação fiscal de cada contribuinte, por que considero uma inaceitável perda de privacidade e uma total falta de respeito pelas pessoas, susceptível de ter graves consequências em termos sociais.
Alimentar a mesquinhez, a inveja, o ciúme e o ódio para os utilizar em favor seja do que for parece-me muito mau caminho.
Provavelmente vamos trocar alguma fuga fiscal pelo desenvolvimento dos sentimentos mais baixos que o homem pode ter, com degradação do tecido social e da solidariedade nacional sobre a qual se deveriam construir todas as soluções.
Os reality-shows vão parecer sensaborões ao lado de comentários eventualmente sórdidos do que ganha ou não ganha o vizinho do lado ou o colega de escritório.
Na minha actividade profissional aprendi que o sigilo sobre o vencimento de cada pessoa era um espaço que deveria ser respeitado.
Nunca, desde a revolução de 25 de Abril de 1974, assisti a um assalto tão grave aos princípios que regem a vida civilizada.
Nem conheço nada de semelhante na Europa democrática.
No entanto, a comunicação social sempre pronta a criticar nem comenta.... Nem os comentadores oficiais..... Apenas ouvi uma voz, a dum presidente de um banco...a preocupar-se com o assunto.
Como é possível !!!!!!!

quarta-feira, junho 01, 2005

A GRANDE MENTIRA

A grande mentira dos últimos tempos foi a promessa feita pelo actual primeiro-ministro quando em campanha eleitoral garantiu aos portugueses, olhos nos olhos, que não haveria aumento de impostos.
Mentira porque não poderia deixar de saber que a situação do País era grave e que exigia aumento de impostos, o que, aliás, vinha há muito tempo a ser certificado por numerosos economistas.
Grande, porque visava enganar não um, nem dois, nem meia dúzia, mas sim dez milhões de portugueses.
Como uma mentira nunca vem só, teve agora de voltar a mentir dizendo que na altura da campanha não conhecia a real dimensão do défice !!!!!
Grande ainda, porque obrigou a uma encenação com altas personalidades da vida pública a criarem um cenário novo, como se a vida fosse uma peça de teatro em que os cenários possam mudar entre dois actos.
Pelas elevadíssimas responsabilidades que resultam das respectivas funções, ficarão na história como actores interpretando papeis de dupla personalidade, quer o Senhor Presidente da República, que o Senhor Governador do Banco de Portugal.
O primeiro, que passou de um personagem que desqualificava a importância do défice dizendo que havia mais vida para além dele.... para um personagem que passou a eleger o défice como o perigo público nº.1, apelando à solidariedade nacional para apoiar as medidas do governo.
O segundo, porque apesar de ser um economista muito reputado e liderar uma Instituição de enorme capacidade técnica, que tem por missão, entre outras, acompanhar a evolução da situação económica e financeira do País, passou de um actor que falava do dito défice sempre com um sorriso negligente e doce nos lábios, para outro que, de repente, descobriu que afinal o défice tinha ido longe de mais, sem disso se aperceber, exigindo ser tratado como verdadeiro monstro, isto é, sem dó nem piedade!!!
Claro está que estamos a falar de ficção e de teatro.
Claro está também que as interpretações de ambos foram magníficas....
Caso contrário teríamos de questionar se a fidelidade partidária justifica uma certa forma de infidelidade ao País.

quarta-feira, maio 25, 2005

O GOVERNO PREFERE A DIETA

As dietas são fases difíceis, em que se perde algum peso a troco de uma privação temporária.
Voltando-se à normalidade, o peso depressa se recupera e até aumenta, nada ficando do sacrifício feito.
Por esse motivo, os bons dietistas preferem a alteração do regime alimentar, com a eliminação definitiva de alguns alimentos de forma reduzir o peso e a mantê-lo estável.
A dieta é uma medida conjuntural; a mudança do regime alimentar é estrutural.
A questão do défice é, em minha opinião, idêntica.
Deveria alterar-se o regime, mas infelizmente o Governo parece preferir a dieta.

terça-feira, maio 03, 2005

EU, CONTRIBUINTE PAGADOR....

Numa tertúlia entre amigos, um dos presentes, militante socialista, defendia com veemência e muita convicção a luta dos estudantes contra o aumento das propinas por considerar:
a) que era obrigação do Estado assegurar ensino gratuito a todos os portugueses;
b) que o aumento na altura decidido (embora irrelevante em valor) tinha sido numa percentagem muito elevada;
c) que os estudantes tinham o direito de se manifestar, mesmo fechando a cadeado o espaço da reitoria e dos professores, porque vivíamos em democracia.
Para reforçar as suas críticas alargou o âmbito do debate, condenando a política orçamental do Governo, pois, em seu entender, o Estado devia preocupar-se menos com o défice do Orçamento do Estado e mais com a Economia, atribuindo verbas para investimento público.
Será que estas ideias estão correctas e são socialmente úteis?
A verdade é que as vejo todos os dias escritas na imprensa e apresentadas nas televisões, por vezes com grande entusiasmo, por parte de jornalistas, repórteres e apresentadores, para além de intelectuais e comentadores.
Apesar disso, vou encher-me de coragem e dizer que penso de forma diametralmente oposta.
Assim, EU CONTRIBUINTE PAGADOR:
a) entendo que, no Portugal actual, o Estado deve assegurar o básico e o essencial, na Educação como em tudo o mais (salário mínimo, subsídio de sobrevivência, assistência médica gratuita para quem não tem recursos, etc), mas não terá nunca a obrigação de pagar licenciaturas a todos os estudantes. Que dê apoios aos que necessitam, isso sim. Mas não tem a obrigação de pagar cursos superiores a quem o pode fazer de sua conta. Pela simples razão de que o Estado sou eu, um dos contribuintes deste País. E não vejo por que motivo terei de suportar com a minha reforma os estudos de pessoas que dispõem de recursos superiores aos meus e que, por vezes, até fazem gala em exibir os seus sinais exteriores de riqueza. Vou mais longe: penso que o ensino superior não deveria ser incumbência do Estado que gere mal quase tudo e essa área também. Basta referir um exemplo dramático dessa má gestão com a falta de médicos resultante do "numerus clausus" imposto durante décadas no acesso às faculdades de medicina, para proteger interesses corporativos. Tal não teria acontecido com um ensino superior privado: a lei da oferta e da procura no mercado de trabalho teria regulado a questão sem contemplações pelos interesses instalados;
b) A ideia de que o direito dos estudantes a manifestarem-se pode sobrepor-se ao direito dos estudantes que querem ir às aulas e ao dos professores que desejam dá-las não se enquadra nos meus critérios de referência cívica.
Quanto ao princípio de que o Estado deve investir mais para desenvolver a economia do País venho (eu, contribuinte pagador) declarar solenemente que não confio um tostão ao Estado para investir seja no que for, porque é coisa que não sabe fazer. Direi mesmo que só a alguns (poucos) dos empresários que conheço daria tal voto de confiança. A prova é que a maioria acaba por não pagar impostos e vai à falência.
Não é necessário usar lentes para ver o resultado das opções de investimento do Estado, desde os magníficos estádios de futebol em dimensão e quantidade faraónicas até às auto-estradas sem portagem que ninguém sabe com que verbas vão ser conservadas.
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Finalmente, atrevo-me a propor as seguintes orientações:
a)os estudantes que não possam custear a sua formação académica devem receber bolsas do Estado e reembolsa-las com os proveitos da sua actividade profissional, ainda que a prazos longos;
b)nas manifestações públicas, incluindo as dos estudantes (nestas até por maioria de razão), não podem ser esquecidos os deveres de respeito pelas instituições e pelas pessoas;
c)o Estado deve assegurar apenas contribuições mínimas e serviços mínimos;
d)o Estado não deve fazer investimentos, assumindo antes um papel regulador da economia e controlador das leis (promover a construção de infra-estruturas, colectar impostos com respeito pelos contribuintes, cobrá-los, geri-los de forma socialmente útil e fazer cumprir as leis).
e)o Estado deve reduzir os impostos (para felicidade minha e dos outros contribuintes pagadores).