Perante o dilema de confiar o Governo ao PSD, liderado pelo Dr. Santana Lopes, ou convocar eleições antecipadas, beneficiando o PS, o Senhor Presidente da República surpreendeu o País ao optar, depois de duas longas semanas de consultas, pela primeira hipótese.
A esquerda, vendo-se afastada do Poder que parecia ao seu alcance, levantou-se em peso, protestando de forma por vezes violenta, desde o Bloco de Esquerda, ao Partido Comunista e ao próprio Partido Socialista.
O Dr. Ferro Rodrigues demitiu-se como forma de protesto. A Drª. Ana Gomes viu nisso uma traição e o fim da democracia (a sua).
O PSD e o CDS aplaudiram com elegância e consideraram o Presidente uma pessoa inteligente e esclarecida.
A Maioria parlamentar de tão contente que ficou nem sequer procurou descortinar os fundamentos da decisão.
Curiosamente os rivais do Dr. Ferro Rodrigues foram muito discretos nas manifestações....
Analisando mais atentamente e sem paixão vemos que:
a) o Dr. Jorge Sampaio, que criticava de forma velada a política de contenção orçamental, exigiu que a mesma fosse mantida;
b) o PS que tinha uma liderança sem futuro viu-se livre dela de um dia para o outro e ganhou ano e meio para se reorganizar, com um líder mais carismático;
o PSD vai ter de carregar a cruz dos sacrifícios durante esse ano e meio, sob a vigilância atenta do Presidente.
Admitindo-se que em eleições imediatas o PS não ganharia com maioria absoluta e iria sofrer o desgaste duma governação sem dinheiro para distribuir, tudo leva a crer que o Sr. Dr. Jorge Sampaio não se esqueceu das suas opções políticas e definiu uma estratégia de conquista do Poder a um prazo um pouco mais longo (ano e meio), mas mais segura e de efeitos mais duradouros.
As aparências iludem...
terça-feira, agosto 03, 2004
FAHRENHEIT 9/11
Todos nós temos qualidades e defeitos. Quando se pretende dizer mal de alguém, referem-se apenas os seus defeitos, ignorando as qualidades. Faz-se o inverso quando se deseja enaltecer a pessoa.
Isto é, manipula-se a verdade da forma mais conveniente.
E a verdade sai falseada.
Lembrei-me desta técnica simples de manipulação com que nos confrontamos diariamente na convivência com outras pessoas, quando assisti ontem ao filme Fahrenheit 9/11, de Michael Moore.
O que incomoda é que o autor, no desejo de prejudicar gravemente a imagem do Presidente Americano, George Bush, nem sequer evitou a divulgação de imagens extremamente chocantes da guerra do Iraque, que a própria televisão americana não publicou, por respeito para com os espectadores e especialmente os familiares das vítimas.
O filme é manifestamente desonesto e mal intencionado.
Trata-se de chicana política.
De tal forma que nem os próprios democratas, incluindo o candidato John Kerry, se querem ver associados a ele.
Isto é, manipula-se a verdade da forma mais conveniente.
E a verdade sai falseada.
Lembrei-me desta técnica simples de manipulação com que nos confrontamos diariamente na convivência com outras pessoas, quando assisti ontem ao filme Fahrenheit 9/11, de Michael Moore.
O que incomoda é que o autor, no desejo de prejudicar gravemente a imagem do Presidente Americano, George Bush, nem sequer evitou a divulgação de imagens extremamente chocantes da guerra do Iraque, que a própria televisão americana não publicou, por respeito para com os espectadores e especialmente os familiares das vítimas.
O filme é manifestamente desonesto e mal intencionado.
Trata-se de chicana política.
De tal forma que nem os próprios democratas, incluindo o candidato John Kerry, se querem ver associados a ele.
sexta-feira, julho 02, 2004
GALERIA DE NOTÁVEIS (a minha)
Desde que o direito de escolha existe, tenho votado PSD.
Sou admirador do Dr. Sá Carneiro, do Prof. Cavaco Silva e de algumas outras personalidades que se têm distinguido na vida pública nacional pela clareza dos seus ideais e princípios, pela honestidade e rigor dos seus comportamentos, e pela subordinação dos interesses pessoais ao interesse público.
Nos últimos dois anos acrescentei mais um nome à minha galeria de notáveis: o da Ministra das Finanças Drª. Manuela Ferreira Leite.
Não tenho com ela, nem com qualquer pessoa das suas relações, qualquer ligação, pelo que o meu sentimento é genuíno e autêntico.
Com o seu programa de equilíbrio das finanças públicas, sem o qual não é possível transformar e modernizar o País, a Drª. Manuela Ferreira Leite enfrentou, praticamente sozinha (e de uma forma completamente desinteressada), as consequências mais negativas que no imediato têm afectado os portugueses mais desprotegidos.
Com a força das suas convicções, enorme competência e grande coragem tem realizado um trabalho excepcional que as futuras gerações não deixarão de registar.
Competente, honesta, trabalhadora e dedicada exclusivamente à Causa Pública é como eu vejo esta Senhora notável.
Trata-se de um caso de excepção num País onde é fácil encontrar todo o tipo de corrupção (a todos os níveis), em que os políticos pensam em primeiro lugar nos seus interesses pessoais ou corporativos e em que o dinheiro dos contribuintes é esbanjado sem pudor nem receio.
...........
Compreendo o sentimento de hostilidade que grande parte da população lhe dedica, mas não compreendo a falta de solidariedade que os seus pares no PSD têm demonstrado, nem a aparente satisfação com que a vêem partir, sem uma palavra de agradecimento e de apreço.
Foi com tristeza e revolta que a vi ontem, na televisão, deixar a sede do PSD sozinha, cabisbaixa, acompanhada por dichotes de pessoas com microfones e câmaras de filmar.
............
Considero também lamentável que a comunicação social tenha ignorado completamente a (implícita) homenagem que lhe está já a ser prestada pelas elites mais responsáveis deste País, a começar pelo Senhor Presidente da República, ao considerarem como fundamental a manutenção da política de rigor e de contenção orçamental pela qual se sacrificou e pela qual tem sido injustamente criticada.
Sou admirador do Dr. Sá Carneiro, do Prof. Cavaco Silva e de algumas outras personalidades que se têm distinguido na vida pública nacional pela clareza dos seus ideais e princípios, pela honestidade e rigor dos seus comportamentos, e pela subordinação dos interesses pessoais ao interesse público.
Nos últimos dois anos acrescentei mais um nome à minha galeria de notáveis: o da Ministra das Finanças Drª. Manuela Ferreira Leite.
Não tenho com ela, nem com qualquer pessoa das suas relações, qualquer ligação, pelo que o meu sentimento é genuíno e autêntico.
Com o seu programa de equilíbrio das finanças públicas, sem o qual não é possível transformar e modernizar o País, a Drª. Manuela Ferreira Leite enfrentou, praticamente sozinha (e de uma forma completamente desinteressada), as consequências mais negativas que no imediato têm afectado os portugueses mais desprotegidos.
Com a força das suas convicções, enorme competência e grande coragem tem realizado um trabalho excepcional que as futuras gerações não deixarão de registar.
Competente, honesta, trabalhadora e dedicada exclusivamente à Causa Pública é como eu vejo esta Senhora notável.
Trata-se de um caso de excepção num País onde é fácil encontrar todo o tipo de corrupção (a todos os níveis), em que os políticos pensam em primeiro lugar nos seus interesses pessoais ou corporativos e em que o dinheiro dos contribuintes é esbanjado sem pudor nem receio.
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Compreendo o sentimento de hostilidade que grande parte da população lhe dedica, mas não compreendo a falta de solidariedade que os seus pares no PSD têm demonstrado, nem a aparente satisfação com que a vêem partir, sem uma palavra de agradecimento e de apreço.
Foi com tristeza e revolta que a vi ontem, na televisão, deixar a sede do PSD sozinha, cabisbaixa, acompanhada por dichotes de pessoas com microfones e câmaras de filmar.
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Considero também lamentável que a comunicação social tenha ignorado completamente a (implícita) homenagem que lhe está já a ser prestada pelas elites mais responsáveis deste País, a começar pelo Senhor Presidente da República, ao considerarem como fundamental a manutenção da política de rigor e de contenção orçamental pela qual se sacrificou e pela qual tem sido injustamente criticada.
quinta-feira, julho 01, 2004
CARTEIRA EM PERIGO
Ao trocar o cargo de 1º. Ministro de Portugal pelo de Presidente da Comissão Europeia, o Dr. Durão Barroso não enquadrou a sua decisão no campo dos princípios morais e éticos que parecia defender.
Abandonou um projecto de dimensão nacional com impacto no futuro do País.
Abandonou os seus ministros e colaboradores, a quem, ao que parece, não informou em devido tempo nem deu quaisquer explicações.
Abandonou aqueles que em si votaram e acreditaram.
Abandonou o Partido à sua sorte.
Tomou todos por parvos, limitando-se a afirmar que o País só terá a lucrar.
Felizmente, não chegou ao ponto de dizer que lhe devemos agradecer.
Como consequência imediata Portugal irá para eleições gerais, que o PS certamente ganhará, após o que fará aquilo de que tanto gosta: gastar o dinheiro dos contribuintes sem olhar para o fundo do saco.
A alternativa, pouco viável, será a de ser o PSD a indicar um leader que já é aclamado por muitos que também se preparam para o assalto ao orçamento.
Em ambos os casos vejo a minha carteira em perigo....
Penso que nunca, em tempo algum, alguém terá contribuído tanto para o desprestígio do PSD que vai certamente ser pulverizado nas urnas.
Abandonou um projecto de dimensão nacional com impacto no futuro do País.
Abandonou os seus ministros e colaboradores, a quem, ao que parece, não informou em devido tempo nem deu quaisquer explicações.
Abandonou aqueles que em si votaram e acreditaram.
Abandonou o Partido à sua sorte.
Tomou todos por parvos, limitando-se a afirmar que o País só terá a lucrar.
Felizmente, não chegou ao ponto de dizer que lhe devemos agradecer.
Como consequência imediata Portugal irá para eleições gerais, que o PS certamente ganhará, após o que fará aquilo de que tanto gosta: gastar o dinheiro dos contribuintes sem olhar para o fundo do saco.
A alternativa, pouco viável, será a de ser o PSD a indicar um leader que já é aclamado por muitos que também se preparam para o assalto ao orçamento.
Em ambos os casos vejo a minha carteira em perigo....
Penso que nunca, em tempo algum, alguém terá contribuído tanto para o desprestígio do PSD que vai certamente ser pulverizado nas urnas.
TRAIÇÃO
Há cerca de dois anos dei o meu voto ao PSD e ao Dr. Durão Barroso. Fi-lo com convicção e alguma alegria porque o Dr. Durão Barroso se propunha:
a) governar com rigor para corrigir o excessivo endividamento do País e dos portugueses, de forma a criar condições de desenvolvimento para o futuro;
b) realizar reformas estruturais para dar maior flexibilidade e polivalência à capacidade produtiva dos portugueses;
O Dr. Durão Barroso pediu sacrifícios e prometeu governar sem pensar nas próximas eleições, pois sentia a responsabilidade histórica de dar um contributo decisivo para a modernização de Portugal.
Dois anos depois, a meio do seu mandato, sem ter concluído o seu trabalho e encontrando-se o País numa encruzilhada crucial entre os sacrifícios já feitos e a não certeza dos seus resultados, o Dr. Durão Barroso vira a costas e emigra.
Por muito legítima que seja a sua opção, a verdade é que deixa o barco à deriva...
Seria impensável a qualquer general abandonar as suas tropas no meio da batalha e ficar indiferente à sorte da população.
Na ética castrense seria traição.
a) governar com rigor para corrigir o excessivo endividamento do País e dos portugueses, de forma a criar condições de desenvolvimento para o futuro;
b) realizar reformas estruturais para dar maior flexibilidade e polivalência à capacidade produtiva dos portugueses;
O Dr. Durão Barroso pediu sacrifícios e prometeu governar sem pensar nas próximas eleições, pois sentia a responsabilidade histórica de dar um contributo decisivo para a modernização de Portugal.
Dois anos depois, a meio do seu mandato, sem ter concluído o seu trabalho e encontrando-se o País numa encruzilhada crucial entre os sacrifícios já feitos e a não certeza dos seus resultados, o Dr. Durão Barroso vira a costas e emigra.
Por muito legítima que seja a sua opção, a verdade é que deixa o barco à deriva...
Seria impensável a qualquer general abandonar as suas tropas no meio da batalha e ficar indiferente à sorte da população.
Na ética castrense seria traição.
quarta-feira, junho 30, 2004
OLHAR O PASSADO
O tempo corre muito rapidamente e, de repente, estamos a olhar para o passado, que a memória nos permite reviver ....
Nem sempre avaliámos bem os nossos procedimentos (nem as opções feitas) e de alguns nos arrependemos mais tarde.
Fomos livres para escolher, mas não somos para nos libertarmos das consequências dos nossos actos.
Nem sempre avaliámos bem os nossos procedimentos (nem as opções feitas) e de alguns nos arrependemos mais tarde.
Fomos livres para escolher, mas não somos para nos libertarmos das consequências dos nossos actos.
quinta-feira, junho 17, 2004
A BANHADA DO PROFESSOR MARCELO
Quando, na década de 1950, frequentava o 1º. ciclo do liceu (actuais 5º e 6º ano) o meu professor de português, Dr. Pires de Lima, contou um pequeno episódio para exemplificar a sua preocupação pelo uso crescente de uma linguagem vulgar e imprópria, normalmente designada por calão. Segundo ele, seguia num carro eléctrico completamente cheio quando entraram duas “senhoras” que logo procuraram chamar a atenção dos passageiros sentados. E uma delas terá dito em voz bem alta: “Que chatice...não há lugares”. O professor que, apesar da idade, se preparava para oferecer o seu lugar, imediatamente desistiu. Para ele, a palavra “chatice” era imprópria de uma pessoa educada e causava-lhe calafrios.
Lembrei-me deste episódio depois de ouvir na televisão o Prof. Dr. Rebelo de Sousa referir a “banhada” que o Governo tinha apanhado nas eleições para o parlamento europeu.
Como comentador político, o Professor não pode esquecer a sua qualidade académica e o facto de que é um modelo para muitos jovens. Deve ter a preocupação de usar uma linguagem simples e clara, mas não deve ceder à demagogia na utilização das palavras, pois é um mau exemplo.
Lembrei-me deste episódio depois de ouvir na televisão o Prof. Dr. Rebelo de Sousa referir a “banhada” que o Governo tinha apanhado nas eleições para o parlamento europeu.
Como comentador político, o Professor não pode esquecer a sua qualidade académica e o facto de que é um modelo para muitos jovens. Deve ter a preocupação de usar uma linguagem simples e clara, mas não deve ceder à demagogia na utilização das palavras, pois é um mau exemplo.
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