terça-feira, agosto 19, 2003

AS BARRAS DE OURO

Há quem pense que a melhor garantia de futuro para os filhos é um valioso património.
Outros consideram que mais importante são os hábitos de trabalho e as qualificações pessoais e profissionais.
A este propósito não resisto a contar um pequeno episódio verídico ocorrido aquando da descolonização de Moçambique.
Diariamente, dezenas de portugueses se apresentavam na ponte-cais da bela cidade de Lourenço Marques com numerosos contendores de madeira acumulando os seus haveres, a fim de os embarcarem para Lisboa.
A Frelimo, partido que havia conquistado a independência, estimulava naquela fase do processo de descolonização a saída de todos os portugueses, dentro da lógica de que, se haviam participado no domínio colonial, não seriam bons colaboradores para o novo poder político. A Frelimo combatia, porém, ferozmente, a saída de bens e haveres, com a ideia de que sem esses patrimónios o País ficaria mais pobre.
Neste contexto, um fiscal da alfândega, que procedia ao exame de um contendor pertencente a um conhecido e prestigiado arquitecto, não encontrando nada a que pudesse objectar, perguntou-lhe onde estavam escondidas as barras de ouro...
Sorrindo, ele mostrou-lhe as duas mãos e respondeu: estas são as minhas barras de ouro; foi com elas que criei riqueza; vão comigo...valem mais do que tudo o que se encontra nesse contentor....

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