sexta-feira, março 19, 2004

TERRORISMO I (O Medo)

Depois do 11 de Setembro e da decisão dos Estados Unidos de lançarem uma frente internacional contra o terrorismo, que incluiu a definição dos países do eixo do mal, potencialmente perigosos para a Humanidade, logo se levantaram vozes contra esse plano, por demasiado perigoso, susceptível de gerar novos ódios e desejos de vingança. O medo levou muitas pessoas a condenarem o ataque ao Afeganistão e a anteciparem o seu fracasso, com consequências terríveis para os países participantes.
Não foi isso que aconteceu e é de presumir que essa acção e o esforço de cooperação a que se assistiu por parte de muitos governos aniquilou uma parte importante da capacidade de acção do terrorismo fundamentalista islâmico.
Quando o segundo passo foi iniciado, com o ataque preventivo ao Iraque de Sadam Hussein, logo as vozes receosas se fizeram ouvir de novo, lembrando as ameaças de morte anunciadas pela Al-Qaeda.
Tornou-se então evidente que em toda a Europa a esquerda tinha assumido como bandeira a condenação do ataque ao Iraque, compreendendo a força da imagem bíblica do medo do fogo do inferno para os pecadores. Para isso, começou a propagar a ideia de que os países que participaram com os Estados Unidos no ataque iriam ser alvos de “castigos” impostos pela rede de Bin Laden.
Com a tragédia do 11 de Março, assumido como o primeiro desses castigos, o povo espanhol optou por cumprir as orientações dos prelados do fanatismo islâmico a fim de não correr o risco de mais condenações.
O Medo ficou definitivamente instalado em Espanha, que espera vir a obter alguma tranquilidade no presente, sem se preocupar com quais serão as consequências para as gerações futuras, se o terrorismo se vier a reforçar e passar a dispor de armas de destruição maciça.
Se o mesmo vier a acontecer noutros países do nosso Continente, como parece provável, será Bin Laden a definir a estratégia geopolítica dos países europeus. Os governos passarão a ser as comissões executivas que cumprirão essa estratégia no dia a dia.
Resta-nos esperar que do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos não vacilem e possam um dia vir a socorrer, uma vez mais, este velho, fragilizado e amedrontado Continente.

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