As dietas são fases difíceis, em que se perde algum peso a troco de uma privação temporária.
Voltando-se à normalidade, o peso depressa se recupera e até aumenta, nada ficando do sacrifício feito.
Por esse motivo, os bons dietistas preferem a alteração do regime alimentar, com a eliminação definitiva de alguns alimentos de forma reduzir o peso e a mantê-lo estável.
A dieta é uma medida conjuntural; a mudança do regime alimentar é estrutural.
A questão do défice é, em minha opinião, idêntica.
Deveria alterar-se o regime, mas infelizmente o Governo parece preferir a dieta.
quarta-feira, maio 25, 2005
terça-feira, maio 03, 2005
EU, CONTRIBUINTE PAGADOR....
Numa tertúlia entre amigos, um dos presentes, militante socialista, defendia com veemência e muita convicção a luta dos estudantes contra o aumento das propinas por considerar:
a) que era obrigação do Estado assegurar ensino gratuito a todos os portugueses;
b) que o aumento na altura decidido (embora irrelevante em valor) tinha sido numa percentagem muito elevada;
c) que os estudantes tinham o direito de se manifestar, mesmo fechando a cadeado o espaço da reitoria e dos professores, porque vivíamos em democracia.
Para reforçar as suas críticas alargou o âmbito do debate, condenando a política orçamental do Governo, pois, em seu entender, o Estado devia preocupar-se menos com o défice do Orçamento do Estado e mais com a Economia, atribuindo verbas para investimento público.
Será que estas ideias estão correctas e são socialmente úteis?
A verdade é que as vejo todos os dias escritas na imprensa e apresentadas nas televisões, por vezes com grande entusiasmo, por parte de jornalistas, repórteres e apresentadores, para além de intelectuais e comentadores.
Apesar disso, vou encher-me de coragem e dizer que penso de forma diametralmente oposta.
Assim, EU CONTRIBUINTE PAGADOR:
a) entendo que, no Portugal actual, o Estado deve assegurar o básico e o essencial, na Educação como em tudo o mais (salário mínimo, subsídio de sobrevivência, assistência médica gratuita para quem não tem recursos, etc), mas não terá nunca a obrigação de pagar licenciaturas a todos os estudantes. Que dê apoios aos que necessitam, isso sim. Mas não tem a obrigação de pagar cursos superiores a quem o pode fazer de sua conta. Pela simples razão de que o Estado sou eu, um dos contribuintes deste País. E não vejo por que motivo terei de suportar com a minha reforma os estudos de pessoas que dispõem de recursos superiores aos meus e que, por vezes, até fazem gala em exibir os seus sinais exteriores de riqueza. Vou mais longe: penso que o ensino superior não deveria ser incumbência do Estado que gere mal quase tudo e essa área também. Basta referir um exemplo dramático dessa má gestão com a falta de médicos resultante do "numerus clausus" imposto durante décadas no acesso às faculdades de medicina, para proteger interesses corporativos. Tal não teria acontecido com um ensino superior privado: a lei da oferta e da procura no mercado de trabalho teria regulado a questão sem contemplações pelos interesses instalados;
b) A ideia de que o direito dos estudantes a manifestarem-se pode sobrepor-se ao direito dos estudantes que querem ir às aulas e ao dos professores que desejam dá-las não se enquadra nos meus critérios de referência cívica.
Quanto ao princípio de que o Estado deve investir mais para desenvolver a economia do País venho (eu, contribuinte pagador) declarar solenemente que não confio um tostão ao Estado para investir seja no que for, porque é coisa que não sabe fazer. Direi mesmo que só a alguns (poucos) dos empresários que conheço daria tal voto de confiança. A prova é que a maioria acaba por não pagar impostos e vai à falência.
Não é necessário usar lentes para ver o resultado das opções de investimento do Estado, desde os magníficos estádios de futebol em dimensão e quantidade faraónicas até às auto-estradas sem portagem que ninguém sabe com que verbas vão ser conservadas.
.............
Finalmente, atrevo-me a propor as seguintes orientações:
a)os estudantes que não possam custear a sua formação académica devem receber bolsas do Estado e reembolsa-las com os proveitos da sua actividade profissional, ainda que a prazos longos;
b)nas manifestações públicas, incluindo as dos estudantes (nestas até por maioria de razão), não podem ser esquecidos os deveres de respeito pelas instituições e pelas pessoas;
c)o Estado deve assegurar apenas contribuições mínimas e serviços mínimos;
d)o Estado não deve fazer investimentos, assumindo antes um papel regulador da economia e controlador das leis (promover a construção de infra-estruturas, colectar impostos com respeito pelos contribuintes, cobrá-los, geri-los de forma socialmente útil e fazer cumprir as leis).
e)o Estado deve reduzir os impostos (para felicidade minha e dos outros contribuintes pagadores).
a) que era obrigação do Estado assegurar ensino gratuito a todos os portugueses;
b) que o aumento na altura decidido (embora irrelevante em valor) tinha sido numa percentagem muito elevada;
c) que os estudantes tinham o direito de se manifestar, mesmo fechando a cadeado o espaço da reitoria e dos professores, porque vivíamos em democracia.
Para reforçar as suas críticas alargou o âmbito do debate, condenando a política orçamental do Governo, pois, em seu entender, o Estado devia preocupar-se menos com o défice do Orçamento do Estado e mais com a Economia, atribuindo verbas para investimento público.
Será que estas ideias estão correctas e são socialmente úteis?
A verdade é que as vejo todos os dias escritas na imprensa e apresentadas nas televisões, por vezes com grande entusiasmo, por parte de jornalistas, repórteres e apresentadores, para além de intelectuais e comentadores.
Apesar disso, vou encher-me de coragem e dizer que penso de forma diametralmente oposta.
Assim, EU CONTRIBUINTE PAGADOR:
a) entendo que, no Portugal actual, o Estado deve assegurar o básico e o essencial, na Educação como em tudo o mais (salário mínimo, subsídio de sobrevivência, assistência médica gratuita para quem não tem recursos, etc), mas não terá nunca a obrigação de pagar licenciaturas a todos os estudantes. Que dê apoios aos que necessitam, isso sim. Mas não tem a obrigação de pagar cursos superiores a quem o pode fazer de sua conta. Pela simples razão de que o Estado sou eu, um dos contribuintes deste País. E não vejo por que motivo terei de suportar com a minha reforma os estudos de pessoas que dispõem de recursos superiores aos meus e que, por vezes, até fazem gala em exibir os seus sinais exteriores de riqueza. Vou mais longe: penso que o ensino superior não deveria ser incumbência do Estado que gere mal quase tudo e essa área também. Basta referir um exemplo dramático dessa má gestão com a falta de médicos resultante do "numerus clausus" imposto durante décadas no acesso às faculdades de medicina, para proteger interesses corporativos. Tal não teria acontecido com um ensino superior privado: a lei da oferta e da procura no mercado de trabalho teria regulado a questão sem contemplações pelos interesses instalados;
b) A ideia de que o direito dos estudantes a manifestarem-se pode sobrepor-se ao direito dos estudantes que querem ir às aulas e ao dos professores que desejam dá-las não se enquadra nos meus critérios de referência cívica.
Quanto ao princípio de que o Estado deve investir mais para desenvolver a economia do País venho (eu, contribuinte pagador) declarar solenemente que não confio um tostão ao Estado para investir seja no que for, porque é coisa que não sabe fazer. Direi mesmo que só a alguns (poucos) dos empresários que conheço daria tal voto de confiança. A prova é que a maioria acaba por não pagar impostos e vai à falência.
Não é necessário usar lentes para ver o resultado das opções de investimento do Estado, desde os magníficos estádios de futebol em dimensão e quantidade faraónicas até às auto-estradas sem portagem que ninguém sabe com que verbas vão ser conservadas.
.............
Finalmente, atrevo-me a propor as seguintes orientações:
a)os estudantes que não possam custear a sua formação académica devem receber bolsas do Estado e reembolsa-las com os proveitos da sua actividade profissional, ainda que a prazos longos;
b)nas manifestações públicas, incluindo as dos estudantes (nestas até por maioria de razão), não podem ser esquecidos os deveres de respeito pelas instituições e pelas pessoas;
c)o Estado deve assegurar apenas contribuições mínimas e serviços mínimos;
d)o Estado não deve fazer investimentos, assumindo antes um papel regulador da economia e controlador das leis (promover a construção de infra-estruturas, colectar impostos com respeito pelos contribuintes, cobrá-los, geri-los de forma socialmente útil e fazer cumprir as leis).
e)o Estado deve reduzir os impostos (para felicidade minha e dos outros contribuintes pagadores).
sexta-feira, abril 29, 2005
ANESTESIADO HÁ 49 DIAS !!!!
Quando há 49 dias o novo Governo foi empossado, o País estava gravemente doente.
Havia fábricas a fechar, o desemprego a aumentar; o défice orçamental muito acima dos 3%; o serviço nacional de saúde com dívidas assustadoras e incapacidades alarmantes; os impostos ameaçando aumentar, quer na sua componente directa, quer no custo dos serviços públicos (transportes e outros); a Justiça com ameaçadores sintomas de insuficiência; o ensino com um panorama pior que mau; etc, etc.
Tudo isto era motivo para comentários e discussões alarmantes a todas as horas nos médias que os portugueses, quer gostem, quer não gostem, têm de consumir (jornais, rádio e televisão).
A ansiedade e angústia eram gerais.
Será que já foi feito algum tratamento ?
Será que estão já previstos e programados outros ?
Não,,,, que se saiba.
Mas os sintomas das doenças parecem ter desaparecido.
Porquê ?
Porque o País está anestesiado e não sente já as dores.
Façamos votos para que não morra na anestesia.
Havia fábricas a fechar, o desemprego a aumentar; o défice orçamental muito acima dos 3%; o serviço nacional de saúde com dívidas assustadoras e incapacidades alarmantes; os impostos ameaçando aumentar, quer na sua componente directa, quer no custo dos serviços públicos (transportes e outros); a Justiça com ameaçadores sintomas de insuficiência; o ensino com um panorama pior que mau; etc, etc.
Tudo isto era motivo para comentários e discussões alarmantes a todas as horas nos médias que os portugueses, quer gostem, quer não gostem, têm de consumir (jornais, rádio e televisão).
A ansiedade e angústia eram gerais.
Será que já foi feito algum tratamento ?
Será que estão já previstos e programados outros ?
Não,,,, que se saiba.
Mas os sintomas das doenças parecem ter desaparecido.
Porquê ?
Porque o País está anestesiado e não sente já as dores.
Façamos votos para que não morra na anestesia.
sexta-feira, abril 22, 2005
CERCA DE METADE
Quando alguém perguntou a João Paulo II quantas pessoas trabalhavam no Vaticano, ele respondeu com um sorriso meigo e muita ironia: “cerca de metade”.
Aparentemente o que se passa em matéria de produtividade no Vaticano é o que acontece na maioria das empresas e organizações portuguesas em que só parte dos trabalhadores é que trabalha. Os restantes pouco ajudam e nalguns casos até prejudicam.
A produtividade, obviamente é baixa, com a excessiva protecção da lei e a vigilância atenta dos sindicatos, que protegem os (maus) trabalhadores (os bons não precisam de protecção).
A fim de exercerem a suas funções com a maior eficiência deveriam as empresas ter liberdade para escolherem os seus trabalhadores, sem constrangimentos.
Alguém imagina uma equipa de futebol em que os jogadores, a título de uma qualquer preocupação social, não pudessem ser dispensados quando jogam mal ?
Faz algum sentido manter no activo trabalhadores desajustados tecnologicamente e no desemprego os filhos deles que têm melhor escolaridade e preparação ?
Não seria preferível dar o subsídio de desemprego ao pai e pagar o salário ao filho?
Com maior produtividade, haveria mais e melhor economia e mais recursos para proteger aqueles que precisam.
Por que razão no casamento é possível o divórcio e no emprego não?
Aparentemente o que se passa em matéria de produtividade no Vaticano é o que acontece na maioria das empresas e organizações portuguesas em que só parte dos trabalhadores é que trabalha. Os restantes pouco ajudam e nalguns casos até prejudicam.
A produtividade, obviamente é baixa, com a excessiva protecção da lei e a vigilância atenta dos sindicatos, que protegem os (maus) trabalhadores (os bons não precisam de protecção).
A fim de exercerem a suas funções com a maior eficiência deveriam as empresas ter liberdade para escolherem os seus trabalhadores, sem constrangimentos.
Alguém imagina uma equipa de futebol em que os jogadores, a título de uma qualquer preocupação social, não pudessem ser dispensados quando jogam mal ?
Faz algum sentido manter no activo trabalhadores desajustados tecnologicamente e no desemprego os filhos deles que têm melhor escolaridade e preparação ?
Não seria preferível dar o subsídio de desemprego ao pai e pagar o salário ao filho?
Com maior produtividade, haveria mais e melhor economia e mais recursos para proteger aqueles que precisam.
Por que razão no casamento é possível o divórcio e no emprego não?
terça-feira, abril 12, 2005
UM PEQUENO PASSO
No seu recente congresso, o PSD não soube, ou não quis, mudar de vida.
Os congressistas dividiram-se.
De um lado ficou a vontade de darem continuidade, com outras pessoas, à demagogia e ao populismo que caracterizou a política de Santana Lopes, pensando que esse sistema de fazer política é o que dá em Portugal resultados a mais curto prazo.
Do outro, a mudança para uma prática política com mais seriedade, que para muitos poderia significar uma longa travessia no deserto e a perda de eventuais prerrogativas.
No meio, uma terceira via, teórica e académica, mas sem liderança.
Neste cenário, sem dispor de um exército coeso, Luís Marques Mendes vai ter uma missão muito dura e muito difícil.
Mas é motivadora a sua disponibilidade para o sacrifício e para uma luta ingrata.
Neste congresso o PSD não mudou de vida. Mas deu um passo nesse sentido.
E todos os caminhos começam por um pequeno passo.
Os congressistas dividiram-se.
De um lado ficou a vontade de darem continuidade, com outras pessoas, à demagogia e ao populismo que caracterizou a política de Santana Lopes, pensando que esse sistema de fazer política é o que dá em Portugal resultados a mais curto prazo.
Do outro, a mudança para uma prática política com mais seriedade, que para muitos poderia significar uma longa travessia no deserto e a perda de eventuais prerrogativas.
No meio, uma terceira via, teórica e académica, mas sem liderança.
Neste cenário, sem dispor de um exército coeso, Luís Marques Mendes vai ter uma missão muito dura e muito difícil.
Mas é motivadora a sua disponibilidade para o sacrifício e para uma luta ingrata.
Neste congresso o PSD não mudou de vida. Mas deu um passo nesse sentido.
E todos os caminhos começam por um pequeno passo.
O PS ANDA POR AÍ
Desde que assumiu funções nada de relevante foi feito pelo novo Governo, não obstante dispor de maioria absoluta, de um estado de graça pouco comum, do apoio inconfessado do Presidente da República, da expectativa ansiosa da maioria dos portugueses e do facto de conhecer perfeitamente os principais problemas do País.
Até agora apenas se registaram algumas decisões de pouca importância, para além da criação de muitas comissões para estudarem o que está suficientemente estudado.
Dizem que o PS não quer criar controvérsia antes da eleições autárquicas.
Provavelmente pretenderá fazer o mesmo antes das presidenciais.
É caso para perguntar onde está o PS ?
Até agora apenas se registaram algumas decisões de pouca importância, para além da criação de muitas comissões para estudarem o que está suficientemente estudado.
Dizem que o PS não quer criar controvérsia antes da eleições autárquicas.
Provavelmente pretenderá fazer o mesmo antes das presidenciais.
É caso para perguntar onde está o PS ?
segunda-feira, março 28, 2005
CINQUENTA POR CENTO
A afirmação popular e brejeira de que metade dos portugueses anda a tentar enganar a outra metade não é inteiramente exacta. Na verdade há portugueses que tentam enganar todos os outros.
Por exemplo:
- os que utilizam facturas falsas para receberem IVA pago por todos.
- os que falseiam receitas médicas para receberem contribuições que todos pagam.
- os que usufruem rendimentos máximos e declaram rendimentos mínimos.
- os que criam obstáculos à resolução de problemas como fonte de angariação de luvas.
- os que utilizam informação privilegiada para obterem ganhos ilícitos.
- os que utilizam poderes democráticos para obterem favores não democráticos.
- etc.,etc..
Por exemplo:
- os que utilizam facturas falsas para receberem IVA pago por todos.
- os que falseiam receitas médicas para receberem contribuições que todos pagam.
- os que usufruem rendimentos máximos e declaram rendimentos mínimos.
- os que criam obstáculos à resolução de problemas como fonte de angariação de luvas.
- os que utilizam informação privilegiada para obterem ganhos ilícitos.
- os que utilizam poderes democráticos para obterem favores não democráticos.
- etc.,etc..
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