quarta-feira, agosto 17, 2005

O PRIMEIRO CABELO BRANCO

Num velho livro de contos e outras histórias, intitulado “Fumo do meu cigarro” e editado no início do século xx, da autoria de um jornalista do Diário de Notícias, que penso se chamava Augusto de Castro, relembro este conto muito interessante:
Alguém viajava de automóvel a alta velocidade, inebriado pelo risco e pela sensação de adrenalina, quando, a certa altura, teve um furo num dos pneus, que o obrigou a uma paragem. Saiu do carro e olhou à sua volta. Estava numa montanha de onde se desfrutava o vale em baixo, um rio, algumas casas rústicas e as encostas cobertas de árvores que davam um colorido de várias cores e tonalidades à paisagem. Era um cenário deslumbrante em que não havia reparado pela excessiva velocidade a que viajava. Sentou-se e ficou durante largos instantes a receber a brisa das árvores e a deleitar-se com a natureza que o cercava. Depois substituiu o pneu e seguiu viagem, mas agora rodando de vagar e prestando atenção à paisagem.
Dizia o autor do conto que aquele furo no pneu que lhe permitira descobrir algo a que até ali não havia prestado atenção era como o primeiro cabelo branco que acontece nas nossas vidas.
Quando um dia olhamos para o espelho e descobrimos esse fio de prata, também paramos, reflectimos e passamos a olhar o mundo de forma diferente.

1 comentário:

Menina Marota disse...

A pressa é inimiga da descoberta...

quantas coisas se perdem, com a pressa de se viver...
;)