quarta-feira, junho 01, 2005

A GRANDE MENTIRA

A grande mentira dos últimos tempos foi a promessa feita pelo actual primeiro-ministro quando em campanha eleitoral garantiu aos portugueses, olhos nos olhos, que não haveria aumento de impostos.
Mentira porque não poderia deixar de saber que a situação do País era grave e que exigia aumento de impostos, o que, aliás, vinha há muito tempo a ser certificado por numerosos economistas.
Grande, porque visava enganar não um, nem dois, nem meia dúzia, mas sim dez milhões de portugueses.
Como uma mentira nunca vem só, teve agora de voltar a mentir dizendo que na altura da campanha não conhecia a real dimensão do défice !!!!!
Grande ainda, porque obrigou a uma encenação com altas personalidades da vida pública a criarem um cenário novo, como se a vida fosse uma peça de teatro em que os cenários possam mudar entre dois actos.
Pelas elevadíssimas responsabilidades que resultam das respectivas funções, ficarão na história como actores interpretando papeis de dupla personalidade, quer o Senhor Presidente da República, que o Senhor Governador do Banco de Portugal.
O primeiro, que passou de um personagem que desqualificava a importância do défice dizendo que havia mais vida para além dele.... para um personagem que passou a eleger o défice como o perigo público nº.1, apelando à solidariedade nacional para apoiar as medidas do governo.
O segundo, porque apesar de ser um economista muito reputado e liderar uma Instituição de enorme capacidade técnica, que tem por missão, entre outras, acompanhar a evolução da situação económica e financeira do País, passou de um actor que falava do dito défice sempre com um sorriso negligente e doce nos lábios, para outro que, de repente, descobriu que afinal o défice tinha ido longe de mais, sem disso se aperceber, exigindo ser tratado como verdadeiro monstro, isto é, sem dó nem piedade!!!
Claro está que estamos a falar de ficção e de teatro.
Claro está também que as interpretações de ambos foram magníficas....
Caso contrário teríamos de questionar se a fidelidade partidária justifica uma certa forma de infidelidade ao País.

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