segunda-feira, dezembro 26, 2005

A JOANA NA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

A mãe da Joaninha trabalhava na Caixa Geral de Depósitos. Naquele dia estava de folga mas teve de passar pelo escritório para ultimar um assunto que não pudera concluir na véspera. Levou a Joaninha para a mostrar às colegas que a receberam com muitas festas e beijinhos, que os seus cinco anitos inteiramente justificavam. Mas depressa encaminharam as conversas para outros temas. A Joana ficou esquecida por breves momentos que aproveitou para observar tudo à sua volta: as secretárias, os lápis, os computadores …
Um dos telefones tocou, mas ninguém ouviu, tão interessante decorria a conversa entre as mamãs.
Atendeu a Joana, com a mesma naturalidade com que atendia em casa o telefone.
………..
Quando lhe prestaram atenção estava ela a acabar a conversa dizendo:
- …adeus….beijinhos.
A mãe perguntou-lhe:
- Quem era Joana? Com quem estavas a falar ?”
- Foi engano, disse a Joana. Queriam falar para a Caixa Geral de Depósitos !!!!

sexta-feira, setembro 16, 2005

CAVACO SILVA

A candidatura de Cavaco Silva à Presidência só fará sentido, nas actuais circunstâncias, se for portadora de um impulso reformador que, em meu entender, tem de começar pelo abertura de um debate nacional destinado à revisão da Constituição da República, a ser plebiscitado no processo eleitoral.
Com a actual Constituição pouco mais se poderá fazer. E para ser mais do mesmo não valerá a pena..

segunda-feira, agosto 22, 2005

ALEKHINE

Alexander Alekhine, nascido em Moscovo em 1892, que foi campeão do Mundo de Xadrez, viveu durante a última grande guerra, em França, onde colaborou com a resistência até ser preso.
Conta-se que o forte militar onde foi detido era comandado por um oficial alemão que gostava muito do jogo de xadrez, a que dedicava as suas horas vagas e todas as suas capacidades.
O xadrez é um jogo que exige muito estudo, muitas horas de prática, disciplina mental, elevado grau de concentração e faz uso de disciplinas como a táctica e estratégia.
Cada jogador tem de procurar antecipar os possíveis lances do adversário e preparar para eles a melhor resposta. Nessa medida é também uma luta psicológica em que duas mentes se enfrentam, tentando advinhar o que vai na outra.
Um dia, o oficial alemão consultando a lista de prisioneiros, viu o nome de Alekhine, o melhor jogador mundial na época e amplamente admirado por todos os jogadores de xadrez.
A possibilidade de o enfrentar era única e a emoção que isso lhe causava era enorme.
Mandou chamá-lo e propôs-lhe que jogassem um jogo. Receando que Alekhine viesse a deixá-lo ganhar como forma de o aliciar, o que retiraria grande parte do interesse dessa oportunidade excepcional, fez a proposta nos seguintes termos: jogariam um único jogo; se Alekhine ganhasse dar-lhe-ia um salvo-conduto com o qual poderia atravessar a fronteira; se perdesse continuaria preso e ele desinteressar-se-ia da sua sorte.
Alekhine aceitou a proposta e o jogo começou. Após alguns lances, Alekhine percebeu que o seu adversário era muito forte, mas incapaz de lhe ganhar. Hesitou.. Tentou advinhar o que ia na mente do seu adversário: se o vencesse, provavelmente ficaria irritado e não cumpriria o prometido; mas se o deixasse ganhar corria o risco de o ofender e de a reacção ser pior.
Os olhares cruzaram-se. Pelo brilho dos olhos, Alekhine pressentiu que o seu oponente lhe estava a ler os pensamentos.
Resolveu arriscar e decidiu que o campeão do Mundo teria de ganhar mesmo contra um oficial alemão, seu carcereiro e indiscutivelmente um grande jogador de xadrez.
Ganhou o jogo, apertaram as mãos e retirou-se sem trocarem uma palavra.
Horas depois recebeu o prometido salvo-conduto, com o qual atravessou a fronteira, entrou em Espanha e chegou a Portugal, onde conduziu magistrais partidas de xadrez e deixou uma memória que ainda perdura.
Faleceu em 1946 num quarto de hotel no Estoril, vítima de ataque cardíaco.
Os seus restos mortais foram transferidos em 1956 para o cemitério de Montparnasse, em Paris.
Portugal perdeu a presença de uma mente brilhante.
Na internet encontra-se um site em sua memória:
http://www.starfireproject.com/chess/alekhine.html

quarta-feira, agosto 17, 2005

O PRIMEIRO CABELO BRANCO

Num velho livro de contos e outras histórias, intitulado “Fumo do meu cigarro” e editado no início do século xx, da autoria de um jornalista do Diário de Notícias, que penso se chamava Augusto de Castro, relembro este conto muito interessante:
Alguém viajava de automóvel a alta velocidade, inebriado pelo risco e pela sensação de adrenalina, quando, a certa altura, teve um furo num dos pneus, que o obrigou a uma paragem. Saiu do carro e olhou à sua volta. Estava numa montanha de onde se desfrutava o vale em baixo, um rio, algumas casas rústicas e as encostas cobertas de árvores que davam um colorido de várias cores e tonalidades à paisagem. Era um cenário deslumbrante em que não havia reparado pela excessiva velocidade a que viajava. Sentou-se e ficou durante largos instantes a receber a brisa das árvores e a deleitar-se com a natureza que o cercava. Depois substituiu o pneu e seguiu viagem, mas agora rodando de vagar e prestando atenção à paisagem.
Dizia o autor do conto que aquele furo no pneu que lhe permitira descobrir algo a que até ali não havia prestado atenção era como o primeiro cabelo branco que acontece nas nossas vidas.
Quando um dia olhamos para o espelho e descobrimos esse fio de prata, também paramos, reflectimos e passamos a olhar o mundo de forma diferente.