sexta-feira, setembro 16, 2005

CAVACO SILVA

A candidatura de Cavaco Silva à Presidência só fará sentido, nas actuais circunstâncias, se for portadora de um impulso reformador que, em meu entender, tem de começar pelo abertura de um debate nacional destinado à revisão da Constituição da República, a ser plebiscitado no processo eleitoral.
Com a actual Constituição pouco mais se poderá fazer. E para ser mais do mesmo não valerá a pena..

segunda-feira, agosto 22, 2005

ALEKHINE

Alexander Alekhine, nascido em Moscovo em 1892, que foi campeão do Mundo de Xadrez, viveu durante a última grande guerra, em França, onde colaborou com a resistência até ser preso.
Conta-se que o forte militar onde foi detido era comandado por um oficial alemão que gostava muito do jogo de xadrez, a que dedicava as suas horas vagas e todas as suas capacidades.
O xadrez é um jogo que exige muito estudo, muitas horas de prática, disciplina mental, elevado grau de concentração e faz uso de disciplinas como a táctica e estratégia.
Cada jogador tem de procurar antecipar os possíveis lances do adversário e preparar para eles a melhor resposta. Nessa medida é também uma luta psicológica em que duas mentes se enfrentam, tentando advinhar o que vai na outra.
Um dia, o oficial alemão consultando a lista de prisioneiros, viu o nome de Alekhine, o melhor jogador mundial na época e amplamente admirado por todos os jogadores de xadrez.
A possibilidade de o enfrentar era única e a emoção que isso lhe causava era enorme.
Mandou chamá-lo e propôs-lhe que jogassem um jogo. Receando que Alekhine viesse a deixá-lo ganhar como forma de o aliciar, o que retiraria grande parte do interesse dessa oportunidade excepcional, fez a proposta nos seguintes termos: jogariam um único jogo; se Alekhine ganhasse dar-lhe-ia um salvo-conduto com o qual poderia atravessar a fronteira; se perdesse continuaria preso e ele desinteressar-se-ia da sua sorte.
Alekhine aceitou a proposta e o jogo começou. Após alguns lances, Alekhine percebeu que o seu adversário era muito forte, mas incapaz de lhe ganhar. Hesitou.. Tentou advinhar o que ia na mente do seu adversário: se o vencesse, provavelmente ficaria irritado e não cumpriria o prometido; mas se o deixasse ganhar corria o risco de o ofender e de a reacção ser pior.
Os olhares cruzaram-se. Pelo brilho dos olhos, Alekhine pressentiu que o seu oponente lhe estava a ler os pensamentos.
Resolveu arriscar e decidiu que o campeão do Mundo teria de ganhar mesmo contra um oficial alemão, seu carcereiro e indiscutivelmente um grande jogador de xadrez.
Ganhou o jogo, apertaram as mãos e retirou-se sem trocarem uma palavra.
Horas depois recebeu o prometido salvo-conduto, com o qual atravessou a fronteira, entrou em Espanha e chegou a Portugal, onde conduziu magistrais partidas de xadrez e deixou uma memória que ainda perdura.
Faleceu em 1946 num quarto de hotel no Estoril, vítima de ataque cardíaco.
Os seus restos mortais foram transferidos em 1956 para o cemitério de Montparnasse, em Paris.
Portugal perdeu a presença de uma mente brilhante.
Na internet encontra-se um site em sua memória:
http://www.starfireproject.com/chess/alekhine.html

quarta-feira, agosto 17, 2005

O PRIMEIRO CABELO BRANCO

Num velho livro de contos e outras histórias, intitulado “Fumo do meu cigarro” e editado no início do século xx, da autoria de um jornalista do Diário de Notícias, que penso se chamava Augusto de Castro, relembro este conto muito interessante:
Alguém viajava de automóvel a alta velocidade, inebriado pelo risco e pela sensação de adrenalina, quando, a certa altura, teve um furo num dos pneus, que o obrigou a uma paragem. Saiu do carro e olhou à sua volta. Estava numa montanha de onde se desfrutava o vale em baixo, um rio, algumas casas rústicas e as encostas cobertas de árvores que davam um colorido de várias cores e tonalidades à paisagem. Era um cenário deslumbrante em que não havia reparado pela excessiva velocidade a que viajava. Sentou-se e ficou durante largos instantes a receber a brisa das árvores e a deleitar-se com a natureza que o cercava. Depois substituiu o pneu e seguiu viagem, mas agora rodando de vagar e prestando atenção à paisagem.
Dizia o autor do conto que aquele furo no pneu que lhe permitira descobrir algo a que até ali não havia prestado atenção era como o primeiro cabelo branco que acontece nas nossas vidas.
Quando um dia olhamos para o espelho e descobrimos esse fio de prata, também paramos, reflectimos e passamos a olhar o mundo de forma diferente.

quarta-feira, agosto 10, 2005

A CONTABILIDADE NECESSÁRIA

O País está a arder.
A dor, a angustia, a tristeza, as tragédias, os dramas enchem ecrãs de televisão e páginas de jornais.
Analisam-se os meios existentes. Se são suficientes ou não. Um ministro explica que os meios são suficientes, mas não para os picos...
Ardem casas... Morrem pessoas... A abnegação e a luta dos bombeiros é heróica.
Durante anos seguidos Portugal desertifica-se...
A quem beneficia o crime?
...............
Não seria possível publicar algumas contas ?
Quanto se gastou com os incêndios e em quê ?
Quem recebeu esse dinheiro e porquê ?

sexta-feira, julho 15, 2005

O FMI NO MEU PRÉDIO

Tenho acompanhado a saga dos casais do meu prédio, em que as senhoras, responsáveis pela gestão dos orçamentos familiares, com verbas insuficientes para cobrirem as despesas, resolveram seguir o exemplo do primeiro ministro Socrates, procurando reduzir o défice sem diminuir as despesas, o que as levou a exigirem aos maridos um aumento das contribuições financeiras.
Como vimos, a reacção dos maridos foi de desagrado e de grande preocupação.
A primeira reacção era a de que o caminho mais adequado seria um esforço no sentido da redução das despesas. Mas depois de o governador do Banco de Portugal ter afirmado o contrário era difícil argumentar.
Hoje, porém, chegou-lhes um apoio inesperado.
O FMI acabou de declarar que as medidas anunciadas pelo Governo português eram insuficientes e que seria necessário actuar no lado das despesas...!!!!!!
O que irão fazer as senhoras?

quinta-feira, julho 14, 2005

OS MARIDOS NÃO GOSTARAM

Como referi anteriormente, as minhas vizinhas ficaram entusiasmadíssimas com a solução encontrada pelo Governo de reduzir o défice, sem reduzir as despesas....
O caso é que elas têm exactamente o mesmo problema e estavam a ser pressionadas no sentido de fazerem economias..
Pois bem, o Senhor Governador do Banco de Portugal, um economista de alta craveira, desempenhando um cargo de elevadas responsabilidades, nacionais e internacionais, acaba de dar razão ao Governo, dizendo que essa opção é melhor do que a de efectuar cortes nas despesas !!!!!!!.
As minhas vizinhas entraram imediatamente em acção. Reuniram em casa de uma delas à hora do chá e resolveram colocar a questão nesse mesmo dia aos respectivos maridos, exigindo-lhes o aumento da contribuição financeira para o lar. Elaboraram logo planos para evitar fugas a essa contribuição adicional, que poderiam passar por medidas extremas.
.............
Ao fim do dia os maridos foram confrontados com essa medida e com a respectiva justificação. Os tempos vão maus, as despesas aumentam, há que fazer sacrifícios e, portanto, a contribuição financeira para o lar teria de ser reforçada.
Os maridos não concordaram....No seu entender, havia despesas supérfluas e até inúteis que poderiam ser eliminadas. As idas à manicure, ao cabeleireiro e às massagens talvez pudessem também ser reduzidas....
Mas o esforço foi em vão...
Vivem neste momento angustiados, sem saber o que lhes reserva o futuro e receando novas penalizações.

quinta-feira, junho 30, 2005

BESTIAL ......

O orçamento rectificativo confirma que o Governo aspira a fazer milagres.
Diminuir o défice sem reduzir a despesa é o objectivo para este ano.
Poupar sem deixar de gastar é bestial !!!!!.
Penso que as donas de casa vão seguir com muita atenção o que faz José Socrates porque quase todas têm um problema parecido.
A minha vizinha do 2º. andar está entusiasmadíssima e acredita poder fazer o mesmo.
Tem já vários chás organizados com as amigas para seguirem de perto o processo...